Ela tinha seu mundinho particular

Imagem: @brandonwoelfel

Ela sempre foi assim; louca. Não era algo que ela tentava esconder quando conhecia alguém, pelo contrário, ela sempre fazia questão de avisar a pessoa que ela era o tipo de pessoa louca que vive em mundo muito parecido com o País das Maravilhas. Ela vivia num mundo só dela, onde podia fugir do mundo real. Não que ela não gostasse da sua realidade, mas no seu mundinho cheio de confusão, todos a entendiam perfeitamente. Suas mudanças repentinas e constantes, seus pensamentos que viviam fora de ordem, sua mudança radical de humor de um segundo para o outro. Lá, ela não precisa se explicar ou pedir desculpas só porque deu uma resposta indesejada para alguém no seu momento de mudança repentina de humor.

Ela se sentia em casa ali. Não se sentia tão deslocada como no mundo real. O mais perto que a realidade chegava do seu mundinho particular, era quando ela andava pela rua de noite, de madrugada, ou ao amanhecer, quando as ruas estavam praticamente vazias e silenciosas. Esse era um dos momentos em que ela finalmente se sentia parte daquele mundo real, além de ser uma das coisas que ela mais gostava de fazer. Sim, ela gostava de ficar sozinha, com seu fone de ouvido e caminhando no frio da noite, sozinha e no silêncio, exceto o barulho de insetos e animais noturnos que se podia ouvir de vez em quando. A verdade é que ela detestava barulho. Isso a incomodava tanto, que ela se trancava no seu quarto, que era frio como um congelador, e ficava lá o dia inteiro, só saia à noite quando não havia mais barulho. 

Muitas vezes se pegava falando sozinha e coisas sem sentidos, mas essas coisas sempre faziam sentido dentro da cabeça confusa dela. Sim, a cabeça dela era cheia de confusão. Tinha muita coisa ali dentro e, raramente, ela conseguia organizar aqueles milhões de pensamentos. Era difícil controlar uma cabeça assim, e mais difícil ainda era conseguir não ficar maluco com ela. Por isso ela gostava tanto de escrever, mesmo que fosse coisas sem sentidos e que os outros não entendessem, fazendo sentido na cabeça dela era o que importa. E assim ela ia levando a vida.

Poucos foram os que realmente ficaram ao lado dela. Alguns simplesmente não aguentaram tamanha maluquice, ou simplesmente nunca tiveram a vontade de ficar. E nessa de pessoas chegando e partindo, barulhos, vida social, festas, e tantas outras coisas, ela se identificou mais com um mundo meio solitário. Não porque ela não tinha opção, mas sim porque ela decidiu escolher essa opção. Ela decidiu dar um toque do seu mundinho particular no mundo real. Mesmo que ele fosse frio, solitário e até escuro, ela gostava disso e isso a fazia feliz. 

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