02 dezembro, 2016

Perdão, Leonard Peacock (Matthew Quick)

Título: Perdão, Leonard Peacock
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 224
Classificação: ♥♥♥
Sinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto. 

Sobre a história

No aniversário de dezoito anos de Leonard, ele acorda com duas decisões tomadas para esse aniversário. A primeira é que ele vai matar seu ex-melhor amigo e a segunda, é que logo em seguida, ele vai se suicidar. Tudo isso ele vai fazer com a pistola que pertenceu ao seu avô nos tempos do regime nazista. Mas antes de matar seu ex-melhor amigo e se suicidar, ele quer entregar quatro presentes para as quatro pessoas que realmente ele se importa, e que talvez se importaram com ele também.

Walt, seu vizinho idoso e fumante com quem passou horas assistindo a filmes antigos e o qual compartilha uma grande admiração por Humphrey Bogart; Lauren, é a menina cristã por quem se apaixona e a qual o faz entrar em situação complicadas, pois ele questiona Deus; Baback é um talentoso violinista de sua escola, o qual o contato entre eles se resume a Baback tocar e Leonard ficar sentado na platéia escutando o ensaio dele; e o Herr Silverman, o professor que está ensinando sobre holocausto e o único que se importa com seus alunos e ele parece ser o único que pode compreender o que se passa na cabeça confusa de Leonard.

Leonard é um adolescente complemente abandonado por sua família, pois seu pai se jogou no mundo e sumiu, e sua mãe, com quem supostamente vive, não faz muito questão de ser próxima ao filho. Ela é muito focada (obsecada) pela sua carreira de estilista e faz o máximo para ficar o mais longe possível do próprio, se envolvendo o mínimo necessário na vida dele. Por conta disso, ele é um garoto solitário, carente de atenção e que está precisando de ajuda, mas pode ser tarde demais, já que Leonard está decidido que até o final do dia estará morto.

O que eu achei 

Essa foi minha primeira experiência com um livro do autor Matthew Quick e posso dizer que gostei muito. Sempre fui louca para ler alguns livros dele, mas sempre ficava adiando. Até tentei ler A Sorte do Agora, mas desisti logo nas primeiras páginas. Tenho um problema muito sério em ler livros ebooks, porque a leitura simplesmente parece não fluir. Pensei em comprar ele, mas aí me deparei com esse e logo que li a sinopse dele, eu não pensei duas vezes e comprei. Já de cara gostei da premissa dele e fiquei muito curiosa para saber o que me esperava. Mas já vou adiantando, me envolvi muito com a história, então meus comentários aqui podem ser um pouco grandes. Então senta que lá vem a história, rs.

O livro é narrado em primeira pessoa pela visão de Leonard. A leitura fluiu logo nas primeiras páginas e o Leonard conseguiu me cativar de primeira. Assim que conheci o personagem já gostei. Leonard é diferente de qualquer outro adolescente de sua idade, e logo conseguimos perceber as consequências de ele ser diferente, porque sabemos como a sociedade reage com pessoas diferentes, né? O modo como ele enxerga o mundo e tenta entendê-lo, faz a gente refletir profundamente sobre diversas coisas em nossa vida e ao nosso redor. Além disso, o livro trás um tema com uma grande realidade de nosso mundinho real. O suicídio. Suicídio não é brincadeira e existem um número muito grande de pessoas com pensamentos suicidas por aí, assim como o Leonard. O mais triste é o fato de não escutarmos os pedidos silenciosos de ajuda de pessoas assim, pois muitas vezes não temos tanto conhecimento do assunto e deixamos passar despercebido. Ao contrário da mãe de Leonard, que simplesmente ignorou e fechou os olhos para o problema do filho. 

Os personagens secundários se mostraram bem importantes para o desenrolar da história, mas confesso que achei eles bem chatos, com exceção do professor Herr Silverman, o professor de holocausto. Ele se mostrou ser o que mais se importava com o Leonard, além de ter sido o único que conseguiu escutar o pedido de ajuda silencioso dele. A gente consegue perceber nitidamente o quanto Leonard quer ser ajudado e o quanto ele quer que alguém o impeça de fazer a besteira que está prestes a fazer. Mas durante todo o começo da história você fica se perguntando: Por que o Leonard quer tanto matar Asher, seu ex melhor amigo e que se tornou o valentão da escola, e o que aconteceu para Leonard guardar tanto rancor assim dele? Felizmente, lá pela metade do livro as coisas vão ficando claras e isso é explicado e finalmente sabemos o que aconteceu que abalou tanto a amizade dos dois. O motivo realmente é um tanto pesado e finalmente conseguimos entender Leonard está agindo dessa maneira. Poxa, ele já tinha uma família desestruturada e ainda teve que aguentar essa barra sozinho? Cara, não há psicológico que aguente! 

O final da história foi meio decepcionante, porque o autor decidiu deixar em aberto. Na verdade, eu até gosto quando os autores fazem isso, deixar o final em aberto para fazer os leitores usarem a imaginação e imaginar o próprio final. Mas as nesse caso, acho que o autor deveria ter feito o desfecho final. Por se tratar de um tema um tanto pesado como homicídio - suicídio, acho que teria sido bem melhor não existir esse final em aberto, porque ele deixou muitas perguntas soltas ao vento na cabeça dos leitores com ele. Além disso, fiquei revoltada com o último acontecimento. Sério, fiquei com tanta vontade de socar a cara da mãe do Leonard. Mulherzinha mesquinha do caramba, viu! Ela só tem olhos para o próprio nariz e para sua carreira (que juro que torci para que no futuro desce errado e ela se arrependesse de não ter se dedicado mais ao que realmente importava) isso me deixou tão irritada. Vocês não fazem idéia do quanto fiquei revoltada com ela. Sério, fiquei indignada com aquela mulher. Só para vocês terem uma idéia, ela ficou em 2° lugar da minha lista de personagens mais detestáveis, ela só perde para Dolores Umbridge, porque ninguém consegue ser mais detestável que aquela cara de sapo, né?! Mas olha, a mãe do Leonard chegou perto viu!

Enfim. A história é realmente tocante e duvido que alguém que já tenha lido, não ficou com vontade de dar um abraço bem apertado no Leonard no final. Posso dizer que a história me fez refletir bastante sobre opiniões formadas que eu já tinha, mas que há muito tempo eu não discutia comigo mesma, sabe? A narrativa é muito boa e, apesar de não saber se gostei ou não das explicações no rodapé, achei a ideia bacana, pois elas fizeram com que certas situações fossem explicadas sem que a leitura ficasse tão cansativa. Mas como eu disse, não gostei do autor ter deixado o final em aberto, porque o livro é muito bom e merecia ter um final mais definido. Enfim. Recomendo muito a leitura, vale muito a pena.

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4 comentários:

  1. Tuas resenhas são incríveis, não tem uma que eu tenha lido que não me dê vontade de ler o livro.
    É claro que ja estou ansiosa pra ler esse, só fico meio com o pé atrás pq odeio ler livros com personagens como a mãe do Leonard, eu não consigo controlar minha raiva deles. Eu li um uma vez e até hoje odeio os pais da garota, e pior, era história real. Deu muita pena, mas nem consigo descrever o quão bom foi essa leitura. Enfim haha vou procurar esse livro ♡ obrigada pela indicação.

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  2. Que resenha incrível Andressa!! Amei o blog, amei sua escrita, sério você me cativou. Eu estou muito na vibe de ler livros mais dramáticos, e o último que resenhei por exemplo fala de uma garota que se suicidou e realmente é bem complicado compreender os pensamentos de uma pessoa que deseja se matar. Acho que irei tentar ler esse livro que você resenhou até o final do ano, para aproveitar minhas inspirações, mas se não der (por que já estamos no fim) em 2017 ele será um dos meus primeiros.
    Quando tiver um tempinho visite o meu blog, eu adoraria receber sua visita. http://www.palavrasambulantes.com/2016/08/resenha-do-livro-eu-estive-aqui.html
    Ahh lindona, te mandei uma mensagem lá no facebook...depois dê uma olhada!! Beijos <3

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  3. Esse é aquele tipo de livro que eu acho que todo mundo deveria ler. Li ele a alguns meses atrás e amei. Realmente, não tem como não sentir uma vontade enorme de dar um abraço apertado no Leonard e tentar ajudar ele.
    Quanto a mãe do Leonard, é, ela é de deixar qualquer um indignado. Mas gostei do autor ter colocado um personagem assim na história, porque infelizmente existe pessoas assim, pais e mães que negligenciam seus filhos.
    Já o final do livro, eu até gostei dele, como disse na minha resenha, achei bacana porque assim como a vida real, não da para saber o que vai acontecer amanhã.
    Gostei da resenha :)

    Epílogo em Branco

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  4. Adorei a resenha, livro parece ser muito bom.
    Blog ta super fofo. Tô te seguindo.
    Beijos

    https://entrepaginasepalpites.blogspot.com.br/

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