Perdão, Leonard Peacock (Matthew Quick)


Sempre tive uma grande curiosidade para ler os livros do Matthew Quick, mas nunca tive a oportunidade. Na verdade, eu já tentei ler A Sorte do Agora, mas acabei desistindo nas primeiras páginas porque não tinha muito costume em ler livros em ebooks, mas pretendo dar uma segunda chance à ele em breve. Até pensei em comprar ele ao invés desse, mas quando li a sinopse dele não resisti de tanta curiosidade.

Sobre a história



No aniversário de dezoito anos de Leonard, ele acorda com duas decisões tomadas para esse aniversário. A primeira é que ele vai matar seu ex-melhor amigo e a segunda, é que logo em seguida, ele vai se suicidar. Tudo isso ele vai fazer com a pistola que pertenceu ao seu avô nos tempos do regime nazista. Mas antes de matar seu ex-melhor amigo e se suicidar, ele quer entregar quatro presentes para as quatro pessoas que realmente ele se importa, e que talvez se importaram com ele também.

Walt, seu vizinho idoso e fumante com quem passou horas assistindo a filmes antigos e o qual compartilha uma grande admiração por Humphrey Bogart; Lauren, é a menina cristã por quem se apaixona e a qual o faz entrar em situação complicadas, pois ele questiona Deus; Baback é um talentoso violinista de sua escola, o qual o contato entre eles se resume a Baback tocar e Leonard ficar sentado na platéia escutando o ensaio dele; e o Herr Silverman, o professor que está ensinando sobre holocausto e o único que se importa com seus alunos e ele parece ser o único que pode compreender o que se passa na cabeça confusa de Leonard.

Leonard é um adolescente complemente abandonado por sua família, pois seu pai se jogou no mundo e sumiu, e sua mãe, com quem supostamente vive, não faz muito questão de ser próxima ao filho. Ela é muito focada (obcecada) pela sua carreira de estilista e faz o máximo para ficar o mais longe possível do próprio, se envolvendo o mínimo necessário na vida dele. Por conta disso, ele é um garoto solitário, carente de atenção e que está precisando de ajuda, mas pode ser tarde demais, já que Leonard está decidido que até o final do dia estará morto.


O livro é narrado em primeira pessoa pela visão de Leonard. A leitura fluiu logo nas primeiras páginas e o Leonard conseguiu me cativar de primeira. Assim que conheci o personagem já gostei. Leonard é diferente de qualquer outro adolescente de sua idade, e logo conseguimos perceber as consequências de ele ser diferente, porque sabemos como a sociedade reage com pessoas diferentes, né? O modo como ele enxerga o mundo e tenta entendê-lo, faz a gente refletir profundamente sobre diversas coisas em nossa vida e ao nosso redor. Além disso, o livro trás um tema com uma grande realidade de nosso mundinho real; o suicídio.

Suicídio não é brincadeira e existem um número muito grande de pessoas com pensamentos suicidas por aí, assim como o Leonard. O mais triste é o fato de não escutarmos os pedidos silenciosos de ajuda de pessoas assim, pois muitas vezes não temos tanto conhecimento do assunto e deixamos passar despercebido. Ao contrário da mãe do Leonard, que simplesmente ignorou e fechou os olhos para o problema do filho. 

Ah, e falando nela... Eu fiquei muito revoltada com essa personagem. Bem no final do livro ela teve uma atitude que me deu vontade de entrar no livro e dar um murro bem no meio da cara dela. Mulherzinha mesquinha do caramba, viu! Ela só tem olhos para o próprio nariz e para sua carreira (que fiquei torcendo pra dar errado no futuro). Só para vocês terem uma ideia do quanto detestei essa mulher, ela ficou em 2° lugar da minha lista de personagens mais detestáveis, e só perde pra Dolores Umbridge, porque ninguém consegue ser mais detestável que aquela cara de sapo, né?! Mas olha, a mãe do Leonard chegou perto viu!

Os personagens secundários se mostraram bem importantes para o desenrolar da história, mas confesso que achei eles bem chatos, com exceção do professor Herr Silverman, o professor de holocausto. Ele se mostrou ser o que mais se importava com o Leonard, além de ter sido o único que conseguiu escutar o pedido de ajuda silencioso dele. A gente consegue perceber nitidamente o quanto Leonard quer ser ajudado e o quanto ele quer que alguém o impeça de fazer a besteira que está prestes a fazer. Mas durante todo o começo da história você fica se perguntando: por que o Leonard quer tanto matar Asher, seu ex melhor amigo e que se tornou o valentão da escola, e o que aconteceu para Leonard guardar tanto rancor assim dele? Felizmente, lá pela metade do livro as coisas vão ficando claras e isso é explicado, e finalmente sabemos o que aconteceu que abalou tanto a amizade dos dois. O motivo realmente é um tanto pesado, mas conseguimos entender o porquê Leonard guarda tanta magoa  e está agindo dessa maneira. Poxa, ele já tinha uma família desestruturada e ainda teve que aguentar essa barra sozinho? Cara, não há psicológico que aguente! 

O final da história foi meio decepcionante porque o autor decidiu deixar em aberto. Na verdade, eu até gosto quando os autores fazem isso, deixar o final em aberto para fazer os leitores usarem a imaginação e imaginar o próprio final. Mas nesse caso, acho que o autor deveria ter feito o desfecho. Por se tratar de um tema um tanto pesado como homicídio/suicídio, acho que teria sido bem melhor não existir esse final em aberto, porque ele deixou muitas perguntas soltas ao vento na cabeça dos leitores, principalmente na minha. 


Enfim. A história é realmente tocante e duvido que alguém que já tenha lido, não tenha ficado com vontade de dar um abraço bem apertado no Leonard no final. Posso dizer que a história me fez refletir bastante sobre opiniões formadas que eu já tinha, mas que há muito tempo eu não discutia comigo mesma. A narrativa é muito boa e, apesar de não saber se gostei ou não das explicações no rodapé, achei a ideia bacana, pois elas fizeram com que certas situações fossem explicadas sem que a leitura ficasse tão cansativa. Mas como eu disse, não gostei do autor ter deixado o final em aberto, porque o livro é muito bom e merecia ter um final mais definido. Enfim. Recomendo muito a leitura, vale muito a pena ツ

A edição é bem simples; capa brochura com alguns pontos em verniz localizados. O livro tem uma fonte de um tamanho bem agradável para leitura, o que só ajuda a mesma fluir ainda mais rápido. Ah, e as páginas também são amareladas *-*





Título: Perdão, Leonard Peacock | Autor: Matthew Quick | Editora: Intrínseca | Páginas: 224 | ISBN: 978-85-8057-395-4

Adicione: Skoob | Goodreads (ou compre aqui!)

Alguém aí já leu esse ou algum outro livro do autor? O que achou? Não se esqueça de me contar aqui nos comentários ^^ Ah, e se quiser me ajudar, você pode compra esse ou qualquer outro livro na Amazon usando o meu link de afiliada :)

Até a próxima, cativados! 

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4 comentários:

  1. Tuas resenhas são incríveis, não tem uma que eu tenha lido que não me dê vontade de ler o livro.
    É claro que ja estou ansiosa pra ler esse, só fico meio com o pé atrás pq odeio ler livros com personagens como a mãe do Leonard, eu não consigo controlar minha raiva deles. Eu li um uma vez e até hoje odeio os pais da garota, e pior, era história real. Deu muita pena, mas nem consigo descrever o quão bom foi essa leitura. Enfim haha vou procurar esse livro ♡ obrigada pela indicação.

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  2. Que resenha incrível Andressa!! Amei o blog, amei sua escrita, sério você me cativou. Eu estou muito na vibe de ler livros mais dramáticos, e o último que resenhei por exemplo fala de uma garota que se suicidou e realmente é bem complicado compreender os pensamentos de uma pessoa que deseja se matar. Acho que irei tentar ler esse livro que você resenhou até o final do ano, para aproveitar minhas inspirações, mas se não der (por que já estamos no fim) em 2017 ele será um dos meus primeiros.
    Quando tiver um tempinho visite o meu blog, eu adoraria receber sua visita. http://www.palavrasambulantes.com/2016/08/resenha-do-livro-eu-estive-aqui.html
    Ahh lindona, te mandei uma mensagem lá no facebook...depois dê uma olhada!! Beijos <3

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  3. Esse é aquele tipo de livro que eu acho que todo mundo deveria ler. Li ele a alguns meses atrás e amei. Realmente, não tem como não sentir uma vontade enorme de dar um abraço apertado no Leonard e tentar ajudar ele.
    Quanto a mãe do Leonard, é, ela é de deixar qualquer um indignado. Mas gostei do autor ter colocado um personagem assim na história, porque infelizmente existe pessoas assim, pais e mães que negligenciam seus filhos.
    Já o final do livro, eu até gostei dele, como disse na minha resenha, achei bacana porque assim como a vida real, não da para saber o que vai acontecer amanhã.
    Gostei da resenha :)

    Epílogo em Branco

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  4. Adorei a resenha, livro parece ser muito bom.
    Blog ta super fofo. Tô te seguindo.
    Beijos

    https://entrepaginasepalpites.blogspot.com.br/

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