Correio coruja: desapegos e trocas


Alguns dias atrás, postei uma foto no meu instagram sobre a minha nova pratica de desapego aos meus livros. Acontece que sempre fui muito apegada a eles, principalmente aos meus queridinhos da vida (e deles eu não me desfaço!). Porém, eu era assim até com aqueles em que a história não me agradava tanto, só que não gostava da ideia de trocar ou vender em sebos. Sempre queria ter eles na estante só para poder ter aquela sensação de "eu tenho esse livro na minha estante", sabe? Mas isso tem mudado de uns tempos para cá.

Desde que tive uma crise de ansiedade social, onde olhar para os meus livros me fazia ficar ainda mais ansiosa e acabei sendo obrigada a guardá-los dentro do guarda roupa para tirá-los da minha visão para não entrar em parafuso, percebi que já não sou mais tão apegadas com alguns. Depois que essa crise passou e tirei os livros do guarda roupa, percebi que não queria mais alguns na minha estante, mas não sabia exatamente o que fazer com eles. Não queria vendê-los, então fui para o sistema de troca lá do skoob. Sinceramente, foi a melhor coisa que fiz hehe.

Meu primeiro desapego da vida foi ano passado, com o livro O Que Há de Estranho em Mim, que até fiz resenha dele recentemente aqui no blog. Como disse no post, ele foi uma leitura agradável, mas não foi tão prazerosa assim para mim. Um dia, enquanto limpava minha estante, olhei pra ele e senti um aperto no coração em vê-lo ali, intocado desde o dia em que o finalizei. Eu sabia que nunca mais o pegaria para ler novamente e isso só me deixou mais triste, porque o vi ali, "mofando" enquanto poderia estar em um outro lar, com alguém que daria a devida atenção para ele. E foi nessa que coloquei para troca.

No começo pensei que ficaria triste por não ter mais ele comigo, mas acabei me sentindo muito mais leve quando voltei do correio naquele dia. Troquei ele por um livro que eu queria na época (mas que até hoje está esperando para ser lido) e até contei um pouco de como foi no primeiro correio coruja aqui do blog. Foi uma experiência muito legal e que tive o prazer de ter novamente esse mês e me desapegar de mais dois livros da estante.


O primeiro deles foi Amy & Matthew, que foi uma leitura boa, mas que não supriu minhas expectativas no final das contas. Ele foi um daqueles casos que gostei da história no começo, mas que o desenrolar não conseguiu me agradar. Até tentei ler ele outra vez, só que acabei largando quando a narrativa começou a me irritar. Acho a proposta da autora boa, colocar dois protagonistas com alguma deficiência (um com TOC e outro com paralisia cerebral), mas me pareceu que ela não soube como conduzir a trama do meio para o final. Ficou tudo muito confuso pra mim e por isso não gostei tanto dele.

O fato é, eu não queria mais ver ele ali, triste e esquecido, quase implorando por atenção. Então decidi que era hora de ele procurar um novo lar para morar. Novamente senti a mesma sensação de leveza, e fiquei feliz por saber que ele foi para casa de uma pessoa que sei que daria a devida atenção para ele. Isso me deixou extremamente bem, como se a missão dele comigo tivesse terminado e agora ele estava livre para seguir um novo caminho. E quer saber a melhor coisa disso? É que, como a moça com quem iria trocar morava consideravelmente perto, trocamos pessoalmente (claro que tomando os devidos cuidados, né). E o mais legal é que, eu não só me despedi de um livro que não gostava mais, como ganhei uma nova amiga :) Já, já vou mostrar por qual troquei hehe.

O outro livro que troquei (no caso enviei, porque não teve a troca de livro por livro), foi Novembro, 9. Esse foi um outro livro que, apesar de ter gostado, a leitura também não foi muito prazerosa. Quase larguei a leitura por causa das indecisões dos personagens, que, sinceramente, estava me irritando muito. Tirando que houve muitos outros empecilhos no meio do caminho que fez ele não me agradar. Fiquei feliz por ter mandado ele para outro lar, principalmente porque pude usar os créditos para solicitar um livro que quero há tempos haha.

Harry Potter e a Criança Amaldiçoada



Sempre foi difícil ser Harry Potter, e não é mais facíl agora que ele é um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três crianças em idade escolar.
Enquanto Harry lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, deve lutar com o peso de um legado de família que ele nunca quis. À medida que passado e presente se fundem de forma ameaçadora, ambos, pai e filho, aprendem uma incômoda verdade: às vezes as trevas vêm de lugares inesperados.

Esse aqui foi o que substituiu Amy & Matthew na minha estante. Confesso que só o desejava por fazer parte do universo de Harry Potter, mas ele é um daqueles casos em que fico feliz por existir, mas que poderia não existir haha. Já faz algum tempo que li e, sinceramente, ainda é difícil acreditar que teve dedo da J.K. Rowling nessa história, que mais me parece um fanfic do que qualquer outra coisa. Não que eu não goste desse livro, na verdade até gosto. Sempre fico muito curiosa com o que acontece na vida dos personagens quando a história acaba (tá, sei que isso é estranho, afinal, eles são inventados) e esse livro me deu um gostinho disso hehe.

Cidade dos Etéreos - O Lar da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares



A viagem extraordinária continua. Depois de conhecer um fascinante mundo novo na misteriosa ilha em que a srta. Peregrine dirigia um lar para crianças peculiares, Jacob Portman se vê em fuga com seus novos amigos. Juntos, eles descobrem que só têm um caminho a seguir: Londres, a cidade onde os peculiares se concentram, nas esperança de encontrar uma curar para a srta. Peregrine.
Nesta cidade devastada pela guerra, surpresas terríveis estão à espreita a cada esquina. Além de levar as outras crianças peculiares a um lugar seguro, Jacob precisa tomar uma decisão impostante: permanecer no passado com Emma Bloom, por quem se apaixonou, ou voltar para os pais, nos dias de hoje.
Telecinesia e viagens no tempo, ciganos e atrações de circo, malignos seres invisíveis e um desfile de animais inusitados, além de uma inédita coleção de fotografias de época - tudo isso se combina para fazer de Cidade dos Etéreos uma história de fantasia comovente, uma experiência de leitura única e impactante.

Estou extremamente feliz por ter tirado esse livro da minha lista de desejados. Desde que li O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares e me apaixonei perdidamente por este universo, estou louca para tê-los na minha estante. Eu já li toda a trilogia e tenho o primeiro livro aqui (os outros dois li em ebook), ainda na edição da editora Leya. Mas meus sonho é ter as edições em capa dura da Intrínseca, incluindo Contos Peculiares e Mapa dos Dias *-*

Sempre considerei esses livros especiais na minha vida, pois eles me ensinaram coisas extraordinárias. Me mostraram que não há nada de errado em ser diferente, em ter gostos "esquisitos" e gostar de coisas estranhas. Me fizeram enxergar que isso é algo bom, porque faz de mim, quem eu sou. Eles  me ajudaram a me aceitar, aceitar meus gostos, minhas manias e meu jeito. Então, quando esse livro chegou aqui em casa, meu sorriso foi de orelha a orelha, principalmente porque eu estava muito desanimada. Ele me trouxe a felicidade mais uma vez, e isso só fez meu carinho por essa história, por esse universo, aumentar ainda mais.


É sempre uma grande alegria poder ter livros novos na estante, principalmente quando são os que eu desejo muito. Está sendo uma alegria maior ainda poder me desapegar de alguns e mandá-los para outra casa, para alegrar outras pessoas. Isso é uma sensação que ainda não sei explicar (e nem sei se um dia saberei) e que deixa meu coração leve e aquecido. Tenho muito carinho por cada um dos meus livros, mas estou aprendendo que as vezes é bom deixá-los livres para arrancar sorrisos de outros leitores por aí :)

Espero que tenham gostado do post! Alguém aí também usa o sistema de trocas do skoob? Aproveita e me adicionem por lá, estou disponibilizando vários livros para trocas e quero muito que eles achem um novo lar :)

Com amor, A ❤

O que há de estranho em mim (Gayle Forman)


Já faz muito tempo que li esse livro, mas nunca tive muita vontade de falar sobre ele por aqui. Na verdade nem o tenho mais na estante, ele não foi uma leitura tão prazerosa, então decidi trocar ele lá no skoob porque queria que ele encontrasse um novo lar, com uma pessoa que sei que deve ter achado a leitura muito mais prazerosa do que eu achei. Acontece que esses dias me deparei com as fotos que tinha feito dele para uma resenha que nunca fiz, então aproveitei a deixa para finalmente fazê-la e desabafar um pouco sobre o que achei da leitura.


Brit Hemphil costumava ter uma família perfeita, porém, sua mãe começou a ter comportamentos estranhos e acabou sendo diagnosticada com esquizofrenia. Após o diagnostico e o agravo da doença, a garota viu sua família ir desmoronando aos poucos, e a situação só piorou depois que sua mãe decidiu sumir e deixar todo mundo sem saber o que aconteceu com ela ou onde está. Desde então Brit e o pai nunca mais foram os mesmos; ele se casou com uma mulher que implica com tudo o que a garota faz e consegue fazer com que o ele a interne em uma "escola" para jovens problemáticos. A verdade é que o lugar não faz nenhum bem para a menina, pois ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar infrações alheias para ganhar a liberdade.


Como nunca tinha lido nenhum dos outros livros da autora, comecei a leitura de O que há de estranho em mim com minhas expectativas bem lá em cima por saber que a história foi baseada em depoimentos reais de jovens que passaram por reformatórios comportamentais bem parecidos com o que a Brit foi mandada. Isso é uma coisa que me chama muita atenção nos livros da Gayle Forman, porque parece que ela gosta de usar a base de casos reais para inspirar suas histórias. Mesmo achando isso um fato bem curioso, infelizmente a leitura não foi tudo aquilo que eu esperava.

Fiquei muito indignada com o comportamento alheio dos pais com seus filhos, com a falta de diálogo entre ambos e a mente completamente fechada que eles tinham. O pior nem foi isso em si, mas lembrar que tudo foi baseado em investigações reais e que exitem sim pais ignorantes o suficiente pra chegarem ao ponto de internarem seus filhos em reformatórios comportamentais. Existem vários jovens por aí precisando realmente de ajuda, mas não acredito que reformatórios sejam o tipo certo de ajudar eles a passar por algum momento difícil. Acredito que uma boa conversa sincera, por parte de ambos, seja um bom começo para resolver qualquer coisa. Ah, e outra, acho ignorância demais de uma pessoa achar que um adolescente é problemático só por não seguir o "padrão-filho-perfeito" imposto pela sociedade ou pelos próprios pais. Pelamor né!

Outra coisa que me deixou indignada, mas que não posso falar muito sobre para não dar spoiler sobre a história, é o comportamento dos pais diante a situação que suas filhas eram mandadas para o reformatório. A reação deles em achar aquilo completamente normal, quando na verdade deveria fazer eles desistirem de vez da ideia de mandá-las para a Red Rock, me deixou completamente assustada. Fiquei abismada quando uma das personagens começou a contar como ela foi mandada para lá. Ela foi praticamente sequestrada na própria casa e na frente dos pais! Como, em sã consciência, um pai ou uma mãe fariam isso com a própria filha? Eu juro que torço pra não existirem pais assim pelo mundo.


Apesar disso, a história não é de toda ruim. As personagens são bem carismáticas e em certos momentos até me fizeram sentir parte do grupo. Porém, preciso ressaltar duas coisas: 1) a narrativa da Brit as vezes ficava tão rasa e monótona, que a leitura ficava um pouco massante e tediosa. Senti falta de partilhar das emoções dela ao invés de só sentir aquela coisa vaga enquanto virava as páginas; e 2) impossível a V só ter 17 anos! Não lembro muito bem por quanto tempo ela disse que estava na Red Rock (como disse no começo do post, faz muito tempo que li o livro), mas lembro do impacto que alguns conselhos dela causaram em mim. Ela é aquela típica personagem toda cheia de marra e protetora, mas que no fundo é uma garota sensível como qualquer outra.

Esse é um livro sobre jovens que travam batalhas internas para mostrar que não há nada de errado em ser diferente. Sobre como a sociedade consegue ser intolerante quando se trata de adolescentes, como não os compreendem e como gostam de colocar padrão em praticamente tudo, até mesmo em seus filhos ou nos filhos dos outros. Não conseguem ver que adolescência é um momento de transição para eles, onde vão descobrir quem são, do que gostam, o que querem fazer, de viver e experimentar coisas novas, e de formar suas próprias opiniões.

A autora conseguiu tratar esse tema de uma forma muito legal, apesar de eu achar que ela romantizou demais em algumas situações. Contudo, foi uma leitura agradável e que me fez refletir sobre essas questões de a sociedade não conseguir aceitar tanto o jovem como ele é, o que era uma coisa que eu nunca tinha sequer refletido (não tão claramente assim). Como nunca li nada com essa temática ou sobre o assunto, posso dizer que a leitura valeu a pena e ganhou alguns pontos comigo por conta disso. Apesar de ficar com os nervos a flor da pele por causa dos pais intolerantes das personagem, foi um livro que gostei de ler. E só um detalhe: essa capa combinou perfeitamente com a história e essas paletas de cores ficou maravilhosa *-*


Título: O que há de estranho em mim | Autora: Gayle Forman | Editora: Arqueiro | Páginas: 224 | Tradução: Marcelo Mendes | ISBN: 978-85-80-41480-6 

Adicione: Skoob | Goodreads (ou compre aqui!)

Quem aí já leu esse ou algum outro livro da autora? Eu confesso que tenho muita vontade de ler os outros livros dela, mas fico meio receosa por não serem o tipo de histórias que me agradam mais. Ultimamente estou lendo muito mais livros de fantasia (leia-se melhor gênero literário do mundo!) e querendo embarcar em ficção científica também hehe.

Bom, espero que tenham gostado da resenha! Me contem embaixo o que acharam da resenha, vou adorar ler cada comentário de vocês :)

Com amor, A ❤